
“Como saber quanto é demais? Demais, cedo demais. Informação demais. Diversão demais. Amor demais, ou demais pra se pedir de alguém? Quanto é demais de tudo pra que consigamos suportar?”— Grey’s Anatomy
no silêncio da madrugada
o barulho é interno.Caren B.
eu sei que começo interessante e depois perco a graça, e não precisa me lembrar disso todo dia.
eu sei que eu já te disse, mas vou repetir: quando está tudo indo bem demais, eu recuo, volto atrás. não quero me sentir dependente de alguém,
e você… se eu me sentisse dependente de você em algum momento
eu ia te destruir
com meus surtos e problemas não resolvidos.
e tá tudo bem as coisas serem desse jeito.
tudo bem eu ser desse jeito, sozinha.
não é ruim como já foi um dia.
tudo bem se estiver só ou me sentir só.
tudo bem.
a gente tinha uma intimidade bonita. eu já não tinha mais vergonha de tirar a roupa e de ficar sem ela. às vezes eu até andava pela casa sem camisa e sem sutiã. você me olhava mas sabia como olhar em cada momento.
as vezes a gente não dizia nenhuma palavra e a gratidão da companhia um do outro era a mesma. bastava só ter você do meu lado.
eu não tinha mais receio de como você ia me ver quando eu acordasse. eu podia ficar tranquila porque você ja conhecia todas as minhas faces. e fazes também.
nossa intimidade era tão bonita que eu não tenho muita certeza se tenho disposição pra começar tudo de novo com outra pessoa. vontade tenho, de sobra. mas parece que ninguém é interesse o suficiente. ou talvez eu esteja só te procurando. e falhando. e falhando….
tenho preguiça das relações novas. as pessoas vão muito rápido, direto ao ponto, não se apaixonam, eu não me apaixono.
você me tocava a alma. me levava pro céu.
eu podia me apaixonar por qualquer pessoa se não fosse apaixonada por você.
eu me afasto para tentar me sentir melhor, mas no final a confusão continua aqui. e eu, só. a boca cala mas a alma não para de gritar.
“Tenho saudades. Quero dizer, desculpe, sinto sua falta. Dos seus cheiros, dos seus carinhos, do seu queixo, das suas sardas, das suas neuras achando que tem uma perna maior que a outra, dos seus banhos quentes tomados, dos seus pés pra dentro ao dormir de bruços, das coisas que a gente foi capaz de fazer sem roupas.”— Gabito Nunes.






